Foi essa a pergunta que me fiz há um ano. Por que Direito? O que motiva uma pessoa a fazer um curso como Direito, tão tradicional, mas ao mesmo tempo taxado como complexo, difícil, para pessoas que gostam de ler e escrever apenas? Na busca desse porque, me questionei diversas vezes antes de prestar o vestibular se era realmente isso que eu queria, se conseguiria ser um bom bacharel, entre outras inúmeras dúvidas de um adolescente pensando em seu futuro. O tempo passou, eu entrei na faculdade, e hoje, mesmo após somente um ano de curso, acho que encontrei respostas para as minhas dúvidas cruéis de ensino médio.
Bom, o curso de Direito, ou como diziam os antigos, curso de Advocacia, não se resume tão somente á leis e posturas jurídicas. O curso de Direito, é um instrumento de pacificação da sociedade. Sim, pacificação. É só olharmos ao nosso redor e vermos como a maioria de nossos conflitos, leia-se aqui qualquer tipo de conflito, é resolvido com a ajuda do Direito. Um cidadão que não paga seus impostos, por exemplo, será penalizado com a ajuda do Direito, que regulamenta normas cerceadoras para tal ato. Atos corriqueiros, situações diversas, em tudo, absolutamente tudo, o Direito está presente. Vendo isso, essa onipresença do Direito na sociedade, pude ver como resolver conflitos, pacificar, seja lá qual seja a expressão mais correta, é uma coisa totalmente apaixonante com a medida que o tempo passa. Porque na verdade, o bacharel em Direito torna-se a priori um advogado, um representante, defensor de um direito alheio. E por ser assim, um modo de defender a violação de algo que pertence a alguém, o Direito torna-se apaixonante, algo gostoso de aprender e aplicar.
Partindo do pressuposto que muitos estudantes de Direito fizeram as mesmas perguntas que eu, e hoje têm as mesmas respostas, creio que de fato o Direito é fundamental para uma sociedade, assim como outras ciências, só que temos como diferencial o fato de organizar, estruturar e “praticar” uma sociedade, visando o bem comum, algo que as outras ciências não possuem, pois só o Direito consegue se meter nesse meio. Dessa forma, todos aqueles que estudam Direito se sentem atores importantes dessa eterna pacificação de conflitos. Está aí uma boa nota a se fazer: muitos, muitos mesmo, exageram nesse pensamento de ser importante para a sociedade e acabam indo para o caminho quase sem volta da arrogância. Essa é uma visão que muitos têm sobre os aplicadores do Direito, que de fato é verdade para aqueles que não possuem a humildade suficiente para trabalhar nesse ramo. Mas voltando aos seres racionais do Direito, aqueles que sabem da sua importância e não abusam dela, esses se apaixonam por saber que são eles que mexem com as vontades contrárias das partes, que são eles os responsáveis por acordarem tais vontades, ou defende-las até a morte. É aí que está nosso sentimento, a responsabilidade por algo que não é nosso, mas acaba sendo: o DIREITO. Nessa árdua missão de defender e lutar por algo que não nos pertence, está a competência de cada um.
Muitos vão bem, outros nem tanto.
Mas falando daquela paixão que começamos o texto, é algo simplesmente marcante. Não estudamos apenas leis, como já disse. Estudamos comportamentos, interpretações, raciocínios, doutrinas, vidas, sociedades, pessoas. Estudamos intensamente o mundo que rodeia a Lei do que esta propriamente dita.
Após meu primeiro ano de faculdade, vesti a camisa dessa missão. Mexer não só com processos, litígios, mas defender algo que ninguém, absolutamente ninguém pode tirar de nós: o NOSSO direito. Quem faz Direito se apaixona, se reveste de uma força maior para assumir a responsabilidade que o cargo nos traz. Foi isso que me rumou para decidir ser um bacharel em Direito.
Enfim, faço Direito porque gosto, porque amo, porque me dedico. Porque Direito é a minha praia e de muitos apaixonados em garantir uma sociedade melhor. Quando, e se esse amor por ser defensor de alguém ou de algo terminar, minha missão estará completa…
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