Sangue-frio, calculista, arrogante, mentiroso e competitivo são alguns dos adjetivos que, segundo as piadas, estudantes de direito e, parte, da população, “tipificam” os advogados. Neste post, pretendo expor algumas das razões que levam às pessoas a classificarem os advogados dessa maneira e tentar demonstrar que as coisas não são bem assim.
Bem, em primeiro lugar, quero deixar claro que não sou defensor incondicional de advogados. Sempre deixei bem claro que a advocacia não seria minha primeira opção depois de formado (apesar de que hoje, com a formatura chegando, são os próximos meses que definirão o meu futuro).
A rotina, as histórias de colegas, e advogados que conheci me mostraram que as coisas podem ser diferentes. E é por isso, que não acho correto generalizar sobre o caráter apenas pela definição de sua profissão.
Sangue-frio, calculista, arrogante e competitivo pode ser um profissional de qualquer área. Essas “qualidades” dependem do caráter de cada um e não da profissão que escolheram. Muitos advogados são mesmo tudo isso, mas já vi médicos, professores, engenheiros e representantes de todos as profissões assim.
Alguns desses “elogios” tratam-se de absoluta má interpretação a respeito do exercício da profissão ou da rotina da advocacia.
Ser sangue-frio, por exemplo, é algo que os médicos também são (e, lógico, também são criticados por isso) mas qualquer trabalho com o passar do tempo torna-se rotineiro e o profissionalismo exige que seja assim, sob pena de jamais conseguir exercer uma profissão em virtude das paixões envolvidas.
E aqui, cumpre fazer um esclarecimento aos “não-estudantes-de-direito” que leem o meu blog: TODOS TÊM DIREITO À DEFESA. E isso deve ser considerado, inclusive, na esfera criminal. Cito uma frase que ouvi de um professor: “Advogados criminalistas não podem abrir um escritório e colocar uma placa ‘NÃO ATENDO CULPADOS’“. De fato. Todos merecem uma defesa. E entendam por defesa, não somente através do clássico pedido de absolvição mas através da fiscalização para que todos os atos realizados no processo sejam realizados respeitando a lei.
Além disso, das próprias profissões jurídicas decorrem dois princípios éticos: a fidelidade e o desinteresse. Em resumo, quer dizer que o profissional deve ser fiel à causa daquele que defende. O promotor à sociedade, o juiz à efetivação da justiça pelo estado e o advogado a seus clientes, tudo na medida correta, sem violar outros princípios éticos ou a moral. Infelizmente, as pessoas esquecem de detalhes como esse e criticam a conduta do advogado sem procurar comprender tudo o que envolve a profissão efetivamente.
A competitividade só pode ser explicada em virtude de que desde que entramos na faculdade de direito TUDO é uma competição. Concursos para estágio são super disputados, o desejo de se destacar dentro de um escritório para a tão sonhada ‘EFETIVAÇÃO’ nem se fala. Logo que nos formamos vem o Exame da Ordem e depois para os que escolhem advogar, um mercado de trabalho repleto de advogados sedentos por clientes. Para os que querem concursos vão enfrentar cursinhos repletos de concorrentes (e quem já encarou um cursinho pré-vestibular tem uma noção do que é isso).
Em qualquer lugar é possível perceber que o nosso instinto (animal) de competitividade ainda está presente, sempre queremos superar e ser melhor que “o bando”. Mas claro, é desnecessário dizer que nada justifica o abuso, o exageiro e a malandragem para vencer.
Particularmente, acredito que a cooperação vence muito mais batalhas do que a competitividade, mas como dito anteriormente: isso depende de cada um.
Nesse sentido, ninguém pode falar dos “blogueiros jurídicos”. Sempre que podem estão divulgando os colegas.
E é mais uma prova de que não se pode generalizar nem estudantes de direito, nem profissionais.

[...] de direito e, parte, da população, “tipificam” os advogados. … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
olá amigo, quero lhe agradeçer pelo blog pois esta me ajudando muito, sou estudante e estou no 2º semestre ainda, porém, este veiculo tem me ajudado muito. obrigado.
Muito bom, gostei!
‘Sangue-frio’ é a pessoa que toma atitudes em estado consciente, mantendo, então, o vulgo sangue-frio. Calculista, do verbo calcular, remete ao homem que faz cálculos. Agir de modo consciente e medir as conseqüências dos próprios atos são duas qualidades, não defeitos.
olá amigos, tudo bem??
eu concordo com o jefferson..obrigado.
Uma profissão que requer seriedade constante não pode ser levada por emoções descontroladoras. A seriedade nos profissionais do Direito pode ser vista, a priori, por suas vestes e seu vocabulário singular. Às vezes, paras as pessoas essas duas características já servem de princípio para erguerem seu preconceito. Ótimo artigo!
Muito bm o texto viu…descobrii esse blog agora e estou vendo que tem conteúdo de verdade!! Parabéns!!! Sou estudante de Direito tbm..e até dentro da faculdade escutams esses comentarios sarcasticos e infundados!!
Meu primeiro acesso no blog mas pode ter certeza que eu vou retornar e acompanhar o andamento diário, enfim. Adorei esse texto! Muito legal e você tem meu apoio em defesa dessa generalização.
ola eu gostei muito do texto é oque vc disse é a pura verdade eu vo começar agora fazer a facudade de direito e cada dia que passa eu penso que é realmente isso que eu quero pra minha vida
Parabéns!
Muito bom e objetivo seu Blog!
Meu caro, é a primeira vez que visito o blog. Você está de parabéns, todos os tópicos estão me ajudando bastante, tanto na vida profissional como na acadêmica!
Em falando do Advogado, realmente possuimos este “complexo de qualidades”. Mas que também faz parte de todos ambitos profissionais!
Abraços!
Infelizmente no país que vivemos essa generalização acontece quase que automaticamente por parte da maioria. É certo que há muitas pessoas que estão mais bem informadas e olham para nós futuros e atuais operadores do direito com respeito a nossa profissão, mas é incontável a quantidade de pessoas que nos tacham de defensores da impunidade, principalmente os advogados criminalistas.
De nada adianta reagir com indignação diante dessas piadinhas ou conclusões desinformadas, o que podemos fazer é usar dos melhores argumentos para abrir os olhos dos que nos enxergam dessa maneira. Confesso que esse artigo foi bastante inspirador para ganhar mais armas contra a injustiça diante nossa profissão.
Quero dar os mais sinceros parabéns ao autor por mais um artigo maravilhoso! Com absoluta certeza entra para os favoritos no meu navegador e certamente será citado nas conversas forenses na faculdade.
Muito bom o artigo! Meus parabéns. Um abraço.
Adorei o blog. Estou no último semestre de direito, e acredita que só vim me apaixonar pelo curso agora? rs! Serei visitante assidua desse site, a partir de hoje. =]