Escreva bem, sem exageros.
Por Carlos Vinicius em Dez 4, 2007 em Estudo, Indicações

Logo nas primeiras aulas do curso de direito, aprendemos a importância da escrita, principalmente por ser uma das principais ferramentas de trabalho para o operador do direito. A escrita forense tornou-se sinônimo de formalidade, conhecimento e cultura, mas chegou a nÃveis espantosos.
Um vocabulário vasto e uma escrita correta demonstram cultura e conhecimento, mas o exagero pode ser um problema.O emprego de uma linguagem complexa exige muito conhecimento e apego a regras gramaticais e sintáticas e o excesso, quando mal utilizado, pode prejudicar a transmissão das idéias, enchendo o texto de palavras complicadas, que muito ao invés de formularem um raciocÃnio perfeito e fechado fazem dos argumentos elementos desconexos.
O texto “Linguagem jurÃdica: é difÃcil escrever direito?“, do Professor Roger Luiz Maciel, discorre sobre os exageros na elaboração de peças jurÃdicas, conta alguns casos de tribunais e, no final, dá dicas brilhantes sobre a composição de textos. Vale copiar um trecho:
Em suma, montar um texto é como embalar um conjunto de porcelana: deve-se tomar cada uma das peças (palavras) com cuidado, dispô-las de forma adequada (frases), alinhando-as em pilhas uniformes (parágrafos), para que fiquem bem firmes dentro da caixa (texto), e possam chegar perfeitas ao destino.
Em sÃntese, pode-se dizer que devemos nos preocupar com a coesão e o destinatário da mensagem, limitando o emprego da linguagem rebuscada para que ao final identifique-se a idéia central e todos os argumentos que a justificam.
Um texto coeso com os argumentos bem encaixados aumenta imensuravelmente o poder de persuasão e o prazer da leitura, pois o destinatário compreenderá todo o raciocÃnio esboçado, com apenas uma ou duas releituras. Além de demonstrar cultura, conhecimento e domÃnio do vernáculo português.

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